quinta-feira, 23 de setembro de 2010

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Chegou o outono. Em qualquer outro dia eu daria pulos de alegria para comemorar o fim do verão, mas hoje simplesmente não estou no clima. Aliás, não tenho estado no clima para p*%%@ nenhuma, mas também não quero falar sobre isso.
Acordei às 5 para preparar café pro Dan, como faço todas as manhãs (nunca pensei que faria isso na vida, mas a verdade é que eu gosto de tomar conta dele). E, como em quase todas as manhãs, não consegui voltar a dormir. Bolei na cama por alguns minutos e desisti. Então me lembrei que tinha que devolver um filme a biblioteca hoje e ainda não tinha arranjado tempo (cof cof) para ver. (Já falei o quanto adoro a Biblioteca Pública de Chicago? Acho que não, mas vai ficar pra outro dia)
Assisti ao filme (Julie & Julia), enxugando lágrimas a cada 5 minutos, inclusive durante os treilers. Não, não é uma história triste. Eu é que ando uma manteiga derretida. Resolvi então blogar, coisa que me prometi fazer com frequência, mas como estou virando tudo aquilo que jurei nunca ser, nao cumprir promessas está ficando cada vez mais normal pra mim.
A verdade é que desde segunda estou assim, mas pra lá do que pra cá. E eu digo segunda porque foi devido ao que aconteceu segunda, quando sai para passear com Lola e esqueci de levar as chaves de casa. Fiquei 6 horas do lado de fora com Lola a me olhar sem entender porque eu não abria a porta e porque eu não lhe dava comida. Ai, que frustração! Mas nem foi a frustração que me deixou assim, foi concluir mais uma vez o quanto eu dependo do Dan. Pra tudo!
Quando me dei conta de que estava trancada do lado de fora comecei a tentar imaginar o que podia fazer. Sem celular, sem dinheiro, sem lenço nem documendo. Só eu, Lola e um cardigã. Ninguém a quem recorrer, nenhum amigo, nenhum parente. Após algumas horas vagando pelas ruas em busca de um telefone público (!!!) e sem saber o que fazer com Lola, que andava seca com a linguinha pro lado de fora, resolvi parar no pet shop onde a levamos para fazer tosa no fim de semana e onde de certeza lhe dariam água. Não só lhe deram água como me deixaram usar o telefone e eu pude então ligar para o Dan, que voltou pra casa assim que pode e nos deixou entrar.
Eu, obviamente, chorei feito menino pequeno e me tranquei no banheiro por duas horas. Deitei na banheira e chorei até cansar e cair no sono. Mais de nove meses aqui e eu não tenho amigos, não conheço ninguém, na minha agenda apenas os números dos amigos do Dan para ligar em caso de emergência (ah.. era pra isso?).
E desde então não páro de enumerar razões para chorar. Não tenho amigos, não tenho emprego, não tenho conhecidos, não tenho planos, não tenho perspectiva.
É engraçado que a capa do DVD que assisti essa manhã traz uma frase que algum crítico escreveu, o que eu NUNCA levo em consideração, mas que nesse caso acho que caiu muito bem. “Scrumptious Feast! The feel-good movie of the year!” Levantei um pouco mais leve, ainda me derretendo pelas beradas, mas menos desesperada. Eu preciso me ocupar. Preciso de projetos. E quando eu me ocupar e esquecer das coisas que não tenho, me focando naquilo que tenho, de certeza tudo vai mudar e um emprego vai surgir e com o emprego virão os amigos, as perspectivas, os planos...

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